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09 julho, 2026

Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Kasa Branca

    


     Há filmes que contam histórias. Outros contam pessoas. Kasa Branca, de Luciano Vidigal, faz algo ainda mais raro: conta afetos.Estamos acostumados a ver a periferia no cinema através da lente da tragédia anunciada. É o jovem que vai morrer, o traficante que vai surgir, a violência que virá na próxima esquina. Mas Kasa Branca parece olhar para a favela como quem olha pela janela de casa. Sem exotismo. Sem medo. Sem pedir licença. Apenas vê.
    Dé, um garoto que carrega a avó doente e o peso do mundo nos ombros, poderia ser mais um personagem destinado ao sofrimento. Mas Luciano Vidigal parece interessado em outra coisa: mostrar que mesmo quando falta dinheiro, sobra humanidade. E talvez seja justamente isso que incomode alguns espectadores. Estamos tão acostumados a associar pobreza à ausência que esquecemos que ela também produz abundância — de amizade, de invenção, de cuidado. 
        No filme, a doença de Dona Almerinda não serve para arrancar lágrimas fáceis. Ela funciona como um relógio silencioso lembrando que o tempo está acabando. E quando o tempo acaba, a vida revela suas prioridades. Não importa o aluguel atrasado, o sistema de saúde falho ou as contas acumuladas. O que importa é fazer a avó sorrir mais uma vez. 
        Existe uma beleza quase revolucionária nisso. Em um país onde tanta gente luta apenas para sobreviver, os personagens de Kasa Branca insistem em viver. Não basta respirar; eles querem dançar, amar, rir, ocupar a laje, contar histórias e criar memórias. Como se dissessem ao mundo que dignidade não é um privilégio de quem mora nos bairros nobres.
        Talvez a grande força do filme esteja justamente na recusa em transformar seus personagens em símbolos. Dé não representa a juventude negra. Dona Almerinda não representa a velhice. A favela não representa a exclusão social. Todos eles simplesmente existem. E, no cinema brasileiro, permitir que pessoas periféricas existam com complexidade, humor, desejo e ternura ainda é um gesto político.
        Ao final, fica a sensação de que Kasa Branca não fala apenas sobre a morte que se aproxima. Fala sobre aquilo que permanece. Os abraços que resistem. As amizades que seguram o mundo de pé. A memória que sobrevive mesmo quando a mente falha.
        Luciano Vidigal filma a periferia como quem filma a própria família. E talvez seja por isso que o filme emocione tanto: porque, por trás de todas as dificuldades, ele nos lembra de uma verdade simples e quase esquecida — ninguém se salva sozinho. 

26 maio, 2026

Falem bem ou mal mas falem do cinema nacional - Velhos bandidos

 

Existe um momento da vida em que o sujeito para de correr da polícia porque o joelho já não aguenta. Em compensação, começa a correr atrás da aposentadoria, do remédio de pressão e da dentadura perdida no almoço de domingo. É mais ou menos nesse território — entre a ficha criminal e a fila preferencial — que mora Velhos Bandidos.

O filme tem aquele cheiro raro do cinema brasileiro que entende uma coisa fundamental: envelhecer também pode ser subversivo. Enquanto Hollywood insiste em transformar velhos em máquinas impossíveis de ação, explodindo prédios aos setenta e oito anos sem sequer sentir dor lombar, Velhos Bandidos prefere algo melhor: humanidade. E carisma. Muito carisma.

Porque o verdadeiro assalto do filme acontece no elenco. Cada ator entra em cena como quem já conhece a vida inteira do personagem antes mesmo da primeira fala. Há uma elegância cansada nos olhares, uma ironia madura nos diálogos e aquele tipo de presença que só artistas experientes conseguem carregar. Não precisam provar mais nada. E justamente por isso dominam tudo.

Os veteranos do filme parecem jogar bola de terno: fazem difícil parecer fácil. Uma levantada de sobrancelha vale mais que três páginas de roteiro. Uma pausa antes da piada entrega mais verdade do que muito monólogo dramático. O elenco não interpreta “velhos criminosos”; interpreta homens que sobreviveram tempo suficiente para virar lenda de bar.

E talvez seja isso que emocione tanto. O filme entende que envelhecer não apaga o passado de ninguém. O malandro envelhece, mas continua malandro. O sedutor envelhece, mas continua ajeitando o cabelo ao passar diante de um vidro. O bandido envelhece, mas ainda desconfia de todo mundo na mesa. Algumas coisas a idade não cura — apenas deixa mais engraçadas.

Há também uma beleza melancólica escondida nas cenas. Aqueles personagens carregam um país inteiro nas costas: décadas de golpes, fracassos, noites ruins, cigarros demais e histórias improváveis. São homens que já apanharam da vida, mas ainda encontram energia para planejar “o último grande golpe” — expressão que, no fundo, todo brasileiro acima dos cinquenta já usou para alguma coisa.

No fim, Velhos Bandidos funciona porque respeita seus atores. Não tenta transformá-los em caricatura nem em heróis de desenho animado. Dá espaço para que brilhem justamente como são: experientes, imperfeitos, engraçados e absurdamente vivos em cena.

E o espectador percebe isso imediatamente. Sai do filme com a sensação de ter encontrado velhos amigos perigosos — daqueles que provavelmente roubariam seu carro, mas devolveriam depois de abastecer.

23 janeiro, 2026

Falem bem ou mal, mas falem do Cinema Nacional - O agente secreto

 


Há filmes que chegam antes mesmo de estrear. “O Agente Secreto”, novo trabalho de Kleber Mendonça Filho, já circula como presságio — desses que não se explicam só pelo currículo do diretor, mas pelo clima que o cerca. Um filme brasileiro que nasce com vocação de conversa internacional, sem abrir mão do sotaque, da rua, da memória incômoda que insiste em nos acompanhar.

Kleber volta a um território que conhece bem: o da história recente filtrada pelo olhar político, pelo suspense que não vem apenas da trama, mas do país. Em “O Agente Secreto”, a ditadura não é pano de fundo; é atmosfera. Ela invade os gestos, os silêncios, os enquadramentos. O cinema de Kleber nunca grita — ele observa. E é justamente nessa observação paciente que mora sua força.

No centro disso tudo está Wagner Moura, em uma atuação que já nasce grande. Moura tem esse raro talento de carregar o Brasil no corpo sem precisar explicá-lo. Seu personagem — tenso, contido, atravessado por medo e convicção — parece feito sob medida para o tipo de interpretação que o ator domina: aquela que diz mais quando cala. Não é exagero imaginar que seja um de seus trabalhos mais maduros, desses que atravessam fronteiras sem legenda emocional.

E aí surge a palavra que todos sussurram, quase com superstição: Oscar. Não como vaidade, mas como símbolo. A esperança de ver “O Agente Secreto” chegar à Academia representa algo maior — a chance de o cinema brasileiro ser reconhecido justamente quando olha para si com mais coragem. Se o Oscar costuma premiar histórias bem contadas, aqui há uma história necessária. E bem contada por quem sabe onde a câmera deve parar.

Talvez o maior triunfo do filme seja esse: transformar memória em expectativa, passado em possibilidade. “O Agente Secreto” carrega a esperança de que o mundo esteja disposto a escutar o Brasil quando ele fala sério — e de que Wagner Moura, mais uma vez, seja a voz que atravessa essa porta.


16 julho, 2025

Valparaíso de Goiás sedia primeira Mostra de Cinema Quilombola com reflexões sobre identidade e território



Evento no CEU das Artes exibiu documentários, promoveu debates e celebrou a cultura afro-brasileira com oficinas e literatura negra

No último sábado, 17 de maio de 2025, Valparaíso de Goiás foi palco da **1ª Mostra de Cinema Quilombola**, organizada pelo **Cine Lobeira** no **CEU das Artes**. Com o tema **“Um olhar quilombola sobre o Brasil”**, o evento reuniu lideranças, cineastas e o público em geral para uma programação que mesclou exibições de filmes, debates, música e atividades culturais.  

### **Cinema como ferramenta de resistência**  

A mostra abriu espaço para vozes quilombolas com a exibição do documentário **“Meada Cor Kalunga”**, dirigido pela liderança **Marta Kalunga**, que também participou de um bate-papo sobre territórios e identidade. Outro destaque foi a participação de **Paulo Alexandre**, representante do **Quilombo Mesquista** (Cidade Ocidental), que apresentou um filme do renomado cineasta **Vladimir Carvalho**.  

A programação ainda incluiu **filmes infantis com temática quilombola**, reforçando a importância da representação negra desde a infância. Após as exibições, o **professor e pesquisador Franco Adriano** mediou um debate e emocionou o público com uma **canção autoral**, unindo arte e reflexão.  

### **Cultura viva: oficinas, literatura e percussão**  

Além do cinema, o evento contou com a **Biblioteca Bitita**, projeto itinerante de **literatura negra**, e uma **oficina de percussão** comandada pelo **Mestre Cezinha**, do bloco afro **Rum Black**. O **Instituto IBEDE** também marcou presença, fortalecendo a rede de apoio à cultura e educação quilombola.  

### **Acessibilidade e inclusão**  

O CEU das Artes proporcionou um **ambiente acessível**, com tradução em **Libras** e estrutura adaptada, garantindo que todos pudessem participar.  

### **Cine Lobeira: cinema como transformação social**  

A mostra integra o projeto **Cine Lobeira**, coordenado pelo **cineasta e morador Thiago Maroca**, que busca levar o cinema a periferias e comunidades, promovendo discussões filosóficas e políticas por meio da sétima arte.  

**“Mais do que exibir filmes, queremos fortalecer narrativas quilombolas e mostrar como o cinema pode ser um instrumento de luta e valorização cultural”**, destacou Maroca.  

O sucesso do evento reforça a importância de iniciativas que ampliem o acesso à cultura e celebrem a diversidade brasileira, colocando Valparaíso de Goiás no mapa das discussões sobre representatividade e cinema independente.  








12 novembro, 2024

Falem bem ou mal mas falem do cinema nacional - Medida provisória

 


Em tempos de tantas medidas políticas urgentes e fragmentadas, *Medida Provisória*, primeiro filme de Lázaro Ramos como diretor, emerge como um grito de resistência, uma reflexão sobre a identidade, a justiça e a busca por um lugar no mundo. Baseado na peça homônima de Renato Fontana, o filme constrói uma distopia que não parece distante, e ao mesmo tempo, extrapola as fronteiras do medo e da raiva para colocar em jogo as relações humanas em um cenário de violência institucionalizada.

O enredo se passa em um Brasil de futuro próximo, onde uma medida provisória absurda é instaurada: todos os negros do país devem se registrar e deixar o Brasil, ou se sujeitar a serem deslocados para uma espécie de "território próprio", uma segregação racial. O filme, ao adaptar a peça para as telas, acentua o absurdo da proposta com uma sensibilidade muito própria de quem conhece profundamente as feridas do Brasil.

A história se concentra em Antônio (vivido por Alfred Enoch) e sua esposa, a médica Marivalda (Taís Araújo), que vivem o dilema de uma mudança forçada para o exterior, longe da terra natal e das suas raízes. A medida provisória, mesmo que não explicite de forma literal, carrega no seu âmago uma alegoria sobre a histórica e contínua diáspora negra, que nunca teve realmente a chance de repousar sobre sua terra, sua identidade e sua memória.

Em termos cinematográficos, Lázaro Ramos opta por um ritmo envolvente e uma estética que mistura o surreal com o dramático. A fotografia, com tons quentes e escuros, traz um tom de melancolia, mas também de intensidade. As personagens enfrentam o dilema de pertencer e não pertencer ao Brasil, uma sensação que, infelizmente, muitos negros, em diferentes contextos históricos e sociais, já experimentaram em carne e alma.

O filme também não se esquiva de abordar o sistema racista com uma violência disfarçada de “normalidade”. As relações sociais, nesse Brasil distópico, são dominadas pela precariedade de um estado que decide quem pertence a ele e quem não pertence. A sociedade, dividida pela brutalidade das medidas, reflete a própria herança colonial que nunca deixou de existir. O Brasil, com suas múltiplas camadas de exclusão, revela sua face mais crua e ao mesmo tempo, desolada.

O que é notável em *Medida Provisória* é a força de seus personagens centrais. Antônio e Marivalda não são apenas vítimas, mas também são símbolos da luta, da sobrevivência e da resistência. Eles buscam resgatar um espaço que é negado a eles pela própria estrutura social. Em uma das cenas mais tocantes do filme, eles discutem as possibilidades de fuga, de resistência, de adaptação. “Vamos para onde?”, pergunta ela. Ele responde: “Para onde é que a gente sempre foi…?” A questão do exílio, da busca por um lar que nunca foi plenamente conquistado, atravessa o filme com uma intensidade emocional palpável.

Lázaro Ramos não oferece respostas fáceis, mas provoca o espectador a refletir sobre as raízes da nossa história. A "medida provisória" do título é uma metáfora para tudo o que se constrói à margem, para as “leis” que excluem, que tentam apagar a memória e silenciar vozes. O filme se configura, assim, como um convite ao questionamento de quem somos e a quem pertencemos, a um convite para repensar a nossa relação com o outro e com a nossa história.

*Medida Provisória* não é apenas um filme sobre o futuro, mas sobre o que já vivemos, sobre a dor histórica que atravessa gerações, sobre as perguntas ainda sem respostas, sobre o deslocamento — físico e emocional — de uma população que é constantemente desconstruída. A beleza do filme está, então, no modo como ele nos força a olhar para o abismo e perceber que, mesmo no caos da distopia, a luta por um lugar no mundo continua a ser a nossa maior medida provisória.


13 setembro, 2024

Falem bem ou falem mal mas falem do cinema nacional - Nosso sonho (Claudinho e Buchecha)



Na selva de concreto do entretenimento nacional, um filme chega para dar aquela sacudida nos espectadores e deixar a concorrência com cara de "ainda em pré-produção". Estamos falando de "Nosso Sonho", a cinebiografia que nos transporta para a era dourada dos anos 90, quando Claudinho e Buchecha eram a sensação do funk e não havia playlist sem um "Nosso sonho". A produção traz um frescor nostálgico e, ao mesmo tempo, uma série de cenas que fazem você se perguntar: "Ué, será que eu estava sonhando ou isso realmente aconteceu?".

O filme abre com uma sequência digna de clímax musical: Claudinho e Buchecha cantando e dançando como se não houvesse amanhã. É como se o diretor quisesse deixar claro logo de cara que a história desses dois ícones é uma verdadeira montanha-russa emocional, com direito a altos e baixos que fariam qualquer montanha-russa de parque de diversões parecer um passeio de carrossel. O ritmo frenético  garante que até os mais céticos acabem batendo o pé e cantando junto, mesmo que o último "Quero te encontrar" tenha sido um pouco antes da virada do milênio.

A produção não economiza em detalhes. Cada cena é meticulosamente montada para capturar a essência dos anos 90, desde o estilo de cabelo até a moda extravagante. É um verdadeiro desfile de tendências que fazem você se perguntar se, por um breve momento, o estilo camisa de jogo de hokey e boné voltou a ser uma tendência. O figurino é tão emblemático que você quase espera encontrar alguém fazendo o passinho da mão como eles faziam.

E não podemos esquecer dos momentos mais profundos e emocionantes. Afinal, a trajetória de Claudinho e Buchecha não é apenas sobre festas e sucessos musicais, mas também sobre desafios e superações. Aqui, o roteiro mergulha de cabeça nas dificuldades pessoais e profissionais enfrentadas pelos protagonistas. É quase um "Vai que Cola" com pitadas de drama e uma boa dose de humor, ressalto a discussão para manter a palavra "adjudicar" na letra.

Mas o verdadeiro trunfo do filme é a forma como ele lida com a nostalgia. Ele não é apenas uma viagem ao passado, mas uma celebração vibrante da influência cultural que Claudinho e Buchecha tiveram na música brasileira. É um lembrete de que, mesmo com as mudanças de tendência e os novos ídolos do momento, a influência desses dois não se apagou. Ao contrário, ela continua brilhando, como uma luz de neon que nunca se apaga.

Assistam. Vale a pena!

26 agosto, 2024

Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Nas ondas da fé


 


Uma Comédia que Faz Pensar

Marcelo Adnet mais uma vez nos presenteia com sua comédia peculiar em Nas Ondas da Fé. O filme, que satiriza o universo das igrejas neopentecostais, nos leva a uma jornada hilária e, ao mesmo tempo, reflexiva sobre fé, ambição e a busca por um lugar ao sol.

Hickson, interpretado por Adnet, é um homem simples e cheio de fé que sonha em ser radialista. Ao conseguir um emprego em uma rádio evangélica, ele se vê diante de um mundo repleto de personagens excêntricos e práticas questionáveis. A comédia surge da contraposição entre a ingenuidade de Hickson e o cinismo de alguns dos personagens que o cercam.

A trama, além de divertir, levanta importantes questões sobre a manipulação da fé, a busca por poder e a exploração financeira em nome da religião. O filme não tem medo de fazer críticas contundentes, mas o faz com leveza e bom humor, evitando o tom panfletário.

Letícia Lima interpreta Jéssika, a esposa de Hickson, que o apoia incondicionalmente em seus sonhos. O casal forma uma dupla carismática e cativante, que nos faz torcer por sua felicidade. Os demais atores também entregam ótimas performances, como Thelmo Fernandes no papel do apóstolo Adriano, um líder religioso ambicioso e manipulador.

Nas Ondas da Fé é um filme que diverte, mas também nos faz pensar sobre a importância de questionar e refletir sobre nossas crenças. É uma comédia que não se leva a sério demais, mas que, ao mesmo tempo, aborda temas sérios com inteligência e sensibilidade.

Em resumo, Nas Ondas da Fé é um filme que vale a pena ser visto por aqueles que apreciam uma boa comédia e que gostam de filmes que provocam reflexão. A atuação de Marcelo Adnet está impecável e a direção segura garante um ritmo ágil e divertido.

05 agosto, 2024

Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Evidências do amor



"E nessa loucura de dizer que não te quero. Vou negando as aparências, disfarçando as evidências..."

Este filme, para mim se tornou uma referência em comédia romântica brasileira, mistura amor, humor e principalmente, a nossa estética social e visual. Tem cena externa pra gente identificar São Paulo, botecos, avenidas, estrada no interior, balada, festinha, beira mar, de tudo um pouco.

O filme foi lançado esse ano nos cinemas e ja está disponível na plataforma de streaming MAX.

Porchat e Sandy, nos convidam a uma jornada sentimental embalada por uma das músicas mais românticas da música brasileira. A comédia romântica, explora a complexidade dos relacionamentos amorosos e as lembranças que nos acompanham ao longo da vida.

A trama gira em torno de um casal que se apaixona intensamente após um dueto inesquecível de "Evidências". A canção, que serve como fio condutor da narrativa, se transforma em um portal para as lembranças mais marcantes do relacionamento. No entanto, à medida que o filme avança, a magia inicial começa a se desfazer, revelando os desafios e as frustrações inerentes a qualquer união.

A química entre Porchat e Sandy é evidente em cena, transmitindo a autenticidade de um casal apaixonado. Os atores conseguem equilibrar momentos de grande leveza e humor com outros mais introspectivos e emocionantes. A direção de Pedro Antônio Paes explora de forma inteligente a dinâmica entre os personagens, utilizando recursos visuais e sonoros para intensificar as emoções.

Um dos pontos altos do filme é a trilha sonora, que além da icônica "Evidências", conta com outras canções que acompanham a evolução da história de amor. A fotografia também merece destaque, com cenas que capturam a beleza e a melancolia da cidade de São Paulo, cenário principal da narrativa.

"Evidências do Amor" é um filme que nos faz refletir sobre a importância das lembranças e sobre como elas moldam nossa identidade. A história de Marco e Laura é um lembrete de que o amor é uma jornada complexa e cheia de nuances, e que as cicatrizes do passado podem influenciar o futuro.

Em resumo, a comédia romântica brasileira é uma obra que encanta pela sua simplicidade e pela sua capacidade de emocionar o público. A atuação impecável de Fábio Porchat e Sandy, aliada a uma d

"Evidências do Amor" é um filme que nos convida a embarcar em uma jornada sentimental inesquecível. Uma comédia romântica que diverte, emociona e nos faz refletir sobre a complexidade dos relacionamentos amorosos.

Vale a pena assistir. 

Beijo

21 maio, 2024

Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Dois é demais em Orlando


        

   Talvez já tenha um tempinho, um mês, semestre ou até anos. Mas todo mundo já assistiu algum filme brasileiro no cinema. Mas a gente tem que aumentar o nosso apreço pela nossa sétima arte, e não adianta vir com a frase pronta dizendo que não tem filme bom ou que só tem violência, drogas e sexo. Já tem mais de uma década que estamos produzindo todos os gêneros, escolhe o seu e pesquise, talvez o problema esteja aí. Onde achar filmes nacionais? Ao longo do texto eu dou algumas pistas, mas antes… 

No feriado, a convite inesperado de minha amada, surgiu a proposta de ir ao cinema. Eu que amo as telonas nem quis saber o filme, mas me agradou muito quando fiquei sabendo que era um filme nacional. Uma dessas comédias que parecem bestas, mas bem divertidas, a história é de um camarada que precisa levar o filho de sua chefe até o pai em Orlando, nos Estados Unidos, chegando lá, eles vão ficando juntos e a trama desenvolve. “Dois é demais”, até o nome é simples, acho que muita genialidade também não serviria para um filme como esse. Tenho que confessar, me arrancou algumas risadas. Vale a pena, o garoto dá um show a parte, agora deixei com você a curiosidade e a decisão de ir.
Voltando a discussão sobre a qualidade do cinema brasileiro, parte do problema passa pela dificuldade de não termos uma indústria nesse setor, o que Hollywood(EUA) e Bollywood (Índia) produzem em volume e qualidade, está esclarecido em um mercado que emprega fixamente muitas pessoas e gera uma economia considerável para seus países. No Brasil, foi consolidado nos anos 90 a teledramaturgia, exportamos para o mundo inteiro, além dos nossos comerciais publicitários criativos. O mercado do streaming (Netflix, Prime, Disney…) migrou o público para novas telas, mas com a mesma necessidade: Conteúdo. Assumo que gosto muito das produções nacionais que encontro no catálogo dessas empresas, mas assistir na sala de cinema é outra emoção, mexe com o coração da gente. Mesmo com dificuldades, o cinema brasileiro no primeiro trimestre de 2024 já superou todo o ano de 2023, segundo a Agência Nacional de Cinema, Ancine. O que precisamos é de mais espaços para os filmes nacionais, talvez de um site com todas as produções disponibilizadas. Tem muita coisa boa, mas até para pesquisar fica difícil.

Eu já baixei muito filme na internet, mas vou confessar, filme nacional é muito difícil achar, principalmente os que não fazem publicidade. Tem filme que ficou menos de uma semana em cartaz. Politica como a cota de telas que obriga um mínimo de produções brasileiras nas telonas ajudam a equilibrar o jogo, mas precisamos continuar lutando pela nossa indústria. O Cinema americano é quase hegemônico em nosso país, a gente não precisa ser tão dependente de uns heróis o ano inteiro. Como alguém consegue achar graça em uma piada americana? Eles comem no café o que colocamos em um sanduíche, 

Bom, o meu conselho é que ao menos uma vez por ano você fortaleça nossa cultura, assista uma produção nacional com mais uma pessoa e comente. Critique o que precisa mudar, mas não deixe de falar do cinema nacional.



Escrito por Thiago Maroca (thiagomaroca@gmail.com)

Autor, produtor audiovisual, bisbilhoteiro, curioso e uma meia dúzia de coisas que não cabem nesse espaço


02 março, 2024

Inscrições Encerradas!


 

Inscrições Encerradas!

Foram recebidas mais de 50 inscrições para o nosso Festival do Cine Lobeira Itinerante 2024. Na próxima etapa, o comitê de curadoria selecionará os filmes que serão exibidos nas escolas. Divulgaremos o resultado em breve.

Assim sendo, desejamos aos cineastas, produtores, atores e equipe técnica que se inscreveram um enorme agradecimento pela participação e boa sorte.

Acompanhe as novidades pelo nosso Instagram: @cinelobeiraval

06 fevereiro, 2024

As inscrições já estão abertas.

 

Cine Lobeira Itinerante abre inscrições para seleção de filmes.

Mostra audiovisual será exibida em escolas públicas e traz premiações em dinheiro.

Direcionado para estudantes e também para toda a comunidade de Valparaíso de Goiás o projeto objetiva contribuir para o enriquecimento cultural da população. As inscrições já estão abertas e terminam no último dia de fevereiro (29/02). A realização da mostra será de 10 a 30 de março de 2024, em escolas e espaços públicos da cidade.

Serão premiados com um valor simbólico de R$ 250,00 (Duzentos e cinquenta reais) filmes selecionados pela curadoria e que aceitem ser exibidos em escolas públicas pelo período de 2 anos. O responsável pela inscrição do filme deverá indicar qual conteúdo escolar o filme pode contemplar. O filme também precisa estar legendado em português.

Promovida pela Lei Paulo Gustavo e com apoio da Secretaria de Cultura e Esporte (SMCE), juntamente com o Conselho Municipal de Cultura de Valparaíso de Goiás, a mostra tem inscrição gratuita e aberta a todos os interessados. Serão aceitos filmes em qualquer gênero e sem restrição de tempo. Os filmes precisam ser autorais e finalizados nos últimos 5 anos.

 

Serviço:

Cine Lobeira Itinerante

Inscrições: de 06/02/24 até 29/02/24

Formulário de inscrição e edital: Clique Aqui

Mais informações: cinelobeira@gmail.com


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