30 setembro, 2026
Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Cinco tipos de medo
03 setembro, 2026
Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - O rei da internet
Hoje em dia, parece impossível imaginar a vida sem internet. Ela está no celular, na escola, no trabalho e até nas conversas entre amigos. Mas será que já paramos para pensar no que existe por trás de uma tela? O filme brasileiro O Rei da Internet nos convida justamente a fazer essa reflexão.
A história mostra como a internet pode transformar a vida de uma pessoa. De repente, aquilo que parecia apenas uma brincadeira ou uma oportunidade pode se tornar algo muito maior. A fama, o dinheiro e o reconhecimento chegam rapidamente, mas, junto com eles, aparecem também problemas que nem sempre são percebidos no início.
Assistindo ao filme, fica difícil não pensar em como as redes sociais mudaram a maneira como nos relacionamos. Muitas vezes, queremos ser vistos, curtidos e reconhecidos. Publicamos momentos felizes e esquecemos que, por trás de uma tela, existe uma pessoa com inseguranças, dificuldades e sentimentos.
O mais interessante é perceber que a internet não é simplesmente boa ou ruim. Ela é uma ferramenta. Pode abrir portas, aproximar pessoas e criar oportunidades, mas também pode trazer pressão, exposição e consequências inesperadas. Tudo depende da maneira como a utilizamos.
O Rei da Internet mostra, de forma descontraída, uma realidade bastante presente na vida dos jovens. No final, fica uma pergunta importante: quem realmente controla quem — nós controlamos a internet ou é ela que começa a controlar nossas vidas?
Talvez o verdadeiro “rei” não seja aquele que possui mais seguidores ou visualizações, mas aquele que consegue usar a internet sem deixar que ela determine quem ele é.
11 agosto, 2026
Falem bem ou mau mas falem do cinema nacional - A corrida do bichos
09 julho, 2026
Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Kasa Branca
Há filmes que contam histórias. Outros contam pessoas. Kasa Branca, de Luciano Vidigal, faz algo ainda mais raro: conta afetos.Estamos acostumados a ver a periferia no cinema através da lente da tragédia anunciada. É o jovem que vai morrer, o traficante que vai surgir, a violência que virá na próxima esquina. Mas Kasa Branca parece olhar para a favela como quem olha pela janela de casa. Sem exotismo. Sem medo. Sem pedir licença. Apenas vê.
Dé, um garoto que carrega a avó doente e o peso do mundo nos ombros, poderia ser mais um personagem destinado ao sofrimento. Mas Luciano Vidigal parece interessado em outra coisa: mostrar que mesmo quando falta dinheiro, sobra humanidade. E talvez seja justamente isso que incomode alguns espectadores. Estamos tão acostumados a associar pobreza à ausência que esquecemos que ela também produz abundância — de amizade, de invenção, de cuidado.
No filme, a doença de Dona Almerinda não serve para arrancar lágrimas fáceis. Ela funciona como um relógio silencioso lembrando que o tempo está acabando. E quando o tempo acaba, a vida revela suas prioridades. Não importa o aluguel atrasado, o sistema de saúde falho ou as contas acumuladas. O que importa é fazer a avó sorrir mais uma vez.
Existe uma beleza quase revolucionária nisso. Em um país onde tanta gente luta apenas para sobreviver, os personagens de Kasa Branca insistem em viver. Não basta respirar; eles querem dançar, amar, rir, ocupar a laje, contar histórias e criar memórias. Como se dissessem ao mundo que dignidade não é um privilégio de quem mora nos bairros nobres.
Talvez a grande força do filme esteja justamente na recusa em transformar seus personagens em símbolos. Dé não representa a juventude negra. Dona Almerinda não representa a velhice. A favela não representa a exclusão social. Todos eles simplesmente existem. E, no cinema brasileiro, permitir que pessoas periféricas existam com complexidade, humor, desejo e ternura ainda é um gesto político.
Ao final, fica a sensação de que Kasa Branca não fala apenas sobre a morte que se aproxima. Fala sobre aquilo que permanece. Os abraços que resistem. As amizades que seguram o mundo de pé. A memória que sobrevive mesmo quando a mente falha.
Luciano Vidigal filma a periferia como quem filma a própria família. E talvez seja por isso que o filme emocione tanto: porque, por trás de todas as dificuldades, ele nos lembra de uma verdade simples e quase esquecida — ninguém se salva sozinho.
26 junho, 2026
Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Oeste outra vez
Veja também
Falem bem ou mal, mas falem do cinema nacional - Cinco tipos de medo
Assistir a Cinco Tipos de Medo é perceber que o medo está muito mais presente em nossas vidas do que imaginamos. Enquanto acompa...

